Resumo Reunião Científica: Atualizações do Congresso Americano: Câncer de mama inicial, o que muda na prática diária

Palestrante:
Dr. Gilberto Amorim
Oncologista Clínico

Coordenadora:
Dra. Cristiane Fabiani

Debatedores:
Dr. Erik Paul Winnikov

Dra. Yeni Neron

 

Atualizações do Congresso Americano: Câncer de mama inicial, o que muda na prática diária

Com o tema “Atualizações do Congresso Americano: Câncer de Mama Inicial, o que muda na prática diária”, a reunião científica do Clube da Mama apresentou os principais destaques da ASCO 2018 sobre a conduta adequada e eficaz no tratamento do câncer de mama inicial.

A discussão ressaltou as atualizações do congresso sobre como orientar as pacientes da melhor forma possível, reduzindo tratamentos quimioterápicos desnecessários relativos e consequente toxicidade, além de melhorar a expectativa e qualidade de vida.

Principais pesquisas apresentadas:

TAILOR x  

Considerado destaque do congresso, o estudo foi apresentado pelo Dr. Joseph Sparano e selecionou pacientes com câncer de mama inicial (T1-2N0M0), com receptores hormonais positivos e HER-2 negativo e submetidas à realização de Oncotype DX para determinar o score de risco e a indicação segura de tratamento.

Score 0-10  (risco baixo)
Resultados do grupo de baixo risco (score 0-10), já haviam sido apresentados na ESMO 2015, demonstrando que neste subgrupo, o tratamento com  hormonioterapia isolada é suficiente. A taxa de recorrência a distância em 05 anos foi de 1%.

Score 11-25  e 16-25 (risco médio)
A conclusão dos investigadores é que mulheres acima de 50 anos com risco score de 11 a 25 não necessitam de quimioterapia adjuvante.  No entanto, as pacientes com menos de 50 anos e risco score de 16-25 apresentam algum benefício com a adição da quimioterapia ao tratamento.

Score 26-100 (risco alto)
Para as pacientes com risco score de 26-100, a recomendação é prescrever tratamento quimioterápico adjuvante.

Pontos fracos: Apesar da importância no Oncotype DX na melhor condução do tratamento do câncer de mama, vale ressaltar que a incorporação deste estudo na prática diária ainda encontra obstáculo. Isso se deve ao fato do teste ainda  não ter cobertura por nenhum plano de saúde no Brasil, além do seu alto custo (aproximadamente R$ 13mil reais).E também pela indefinição da melhor conduta em adjuvância nas pacientes com Score 16-25, quando em idade inferior a 50 anos.

Persephone trial

Realizado no Reino Unido, com recursos do Ministério da Saúde, o estudo teve como objetivo a eficácia do Trastuzumabe adjuvante na sobrevida de pacientes com câncer de mama. A pesquisa randomizou 4 mil mulheres portadoras da doença, nos estágios de I-III e HER-2 positivo, para receber 6 ou 12 meses do tratamento adjuvante.  O estudo atingiu o objetivo de não inferioridade com Sobrevida Livre de Doença em 04 anos de 89,4% (06 meses) e 89,8% (12 meses).

Pontos fortes do estudo: o número de pacientes, braços bem balanceados, suportado com recursos financeiros do governo.

Pontos fracos: mais de 50% das pacientes receberam Trastuzumabe sequencial, prática abandonada nos dias de hoje e apenas 10% das pacientes receberam quimioterapia baseada em Taxanos. Aguardamos a publicação do estudo para melhor avaliação.

Soft/Text e Astrra

Os estudos abordaram a supressão ovariana no tratamento adjuvante das pacientes com câncer de mama. Os benefícios de sobrevida livre de doença para pacientes de alto risco podem chegar a 15%. A  incorporação na prática clínica ainda traz grandes desafios, entre elas a própria supressão ovariana, com relato de até 30% das pacientes com níveis de estrogênio acima dos valores de menopausa, além da necessidade de orientar as pacientes em condutas para minimizar os eventos adversos.

 

Cristiane Fabiani
Oncologista Clínica
CRM/SC – 4524

 

 

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