Ressonância Magnética das Mamas

Em 1986, saíram os primeiros estudos sobre ressonância magnética das mamas e seus benefícios para o diagnóstico do câncer de mama. Na década de 90, esse método de imagem foi integrado aos exames de diagnóstico para doenças relacionadas à mama e, a partir daí, muito já se estudou a respeito.

Atualmente, esse exame tem sido bastante realizado como meio de diagnóstico e controle de lesões relacionadas às mamas, porém as suas indicações são extremamente precisas e a sua realização deve ser bem ponderada.

O mastologista e o radiologista mamário, que estudam e entendem especialmente das potencialidades e limitações da ressonância de mama, são os médicos mais indicados a orientarem e solicitarem esse exame, para que se tenha um diagnóstico conciso e não gere mais dúvidas nas condutas e tratamentos.

Diferente da mamografia, que tem um papel de rastreamento populacional, ou seja, é feito na população em geral sem sintomas, a ressonância apresenta indicações pré-determinadas por pesquisas e publicações de sociedades internacionais e nacionais dedicadas ao estudo e diagnóstico de doenças da mama e especialmente do câncer de mama.

As principais indicações para realização desse método de imagem são:

  1. Avaliação da resposta à quimioterapia – pacientes com diagnóstico de câncer de mama que necessitam fazer quimioterapia antes da cirurgia. Em alguns casos, a ressonância pode ser útil para avaliar o grau de resposta do tumor ao tratamento.
  2. Estadiamento pré-operatório – algumas pacientes com diagnóstico de câncer de mama podem ter benefícios adicionais com a ressonância magnética pré-operatória.
  3. Exames de imagem convencionais inconclusivos – se a mamografia e a ultrassonografia não estabelecem um diagnóstico preciso ou se, mesmo com diagnóstico ainda existem dúvidas em relação à melhor conduta a ser tomada, a ressonância pode auxiliar o diagnóstico e orientar no melhor tratamento a ser realizado.
  4. Pacientes com alto risco familiar – algumas mulheres apresentam alterações genéticas e têm uma maior probabilidade de ter o câncer de mama. Sendo assim, a ressonância de mamas para rastreamento nessas pacientes específicas tem indicação precisa da sua realização. Entretanto, apenas o médico especialista na área de mama pode determinar a necessidade da realização da ressonância de mama como meio de rastreamento. Esse é um assunto muito importante, que será abordado especificamente nas nossas próximas publicações.
  5. Outras indicações: avaliação de implantes mamários, diagnóstico de “tumor oculto”, avaliação de “fluxo papilar”.

Sendo observada sua real necessidade, é fundamental que a paciente esteja ciente de pontos importantes para a realização da ressonância magnética das mamas. Um deles é a correlação com os exames de mama previamente realizados, sejam eles mamografia, ultrassonografia e até mesmo biópsias. Essa correlação pode trazer mais precisão no diagnóstico e melhor benefício à paciente.

Além disso, o uso do meio de contraste endovenoso é indispensável na realização do exame para o diagnóstico do câncer de mama, o qual não deve ser realizado com esse objetivo sem a utilização do mesmo.

Outras situações podem ser determinantes nos achados de imagem, sendo indicada, salvo situações específicas, a realização preferencialmente entre o 7º e 14º dias do ciclo menstrual e evitar a realização em lactantes. Além disso o uso de terapia de reposição hormonal ou hormônios esteroidais deve ser comunicada no momento do exame, não sendo rara a necessidade da suspenção do uso por algum período em casos específicos.

Outro ponto importante a ser lembrado é a interação multidisciplinar entre as equipes de diagnóstico e tratamento do câncer de mama, solucionando assim, possíveis dúvidas em beneficio à paciente.

A ressonância magnética das mamas vem apresentando grandes avanços e melhorias técnicas progressivamente, sendo que a otimização de protocolos de exames e utilização de novas técnicas de aquisição das imagens e análise estão sendo cada vez mais estudadas e acrescentadas à prática clínica. Cabe ao profissional estar bem atualizado da real necessidade de sua utilização, procurando lançar mão dessa importante ferramenta diagnóstica em situações adequadas e bem definidas, além de orientar às pacientes para a importância da realização do exame nessas condições, buscando vencer o desafio do diagnóstico e tratamento adequados frente ao câncer de mama.

Luciane Stüpp de Freitas

Médica radiologista especialista em radiologia mamária.

CRM/SC 11627 RQE 10083.

Bibliografia sugerida:

  1. Urban, L.A.B.D., et. al..MAMA. I ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
  2. https://www.uptodate.com/contents/mri-of-the-breast-and-emerging-technologies?search=MRI%20of%20the%20breast%20and%20emerging%20technologies&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1
  3. Kuhl, C. The Current Status of Breast MR Imaging Part I. Choice of Technique, Image
  4. Interpretation, Diagnostic Accuracy, and Transfer to Clinical Practice1 Radiology: Volume 244: Number 2—August 2007.
  5. Kuhl, C. Current Status of Breast MR Imaging Part 2. Clinical Applications1Radiology: Volume 244: Number 3—September 2007.
 

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